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Será Possível ser Eticamente Imparcial?

É possível em determinados contextos decerto ser eticamente imparcial. Contudo, se considerarmos que existir é um dado da ética, não vemos porque é que na agência se deva colocar a questão da imparcialidade. A consciência de que estamos imersos num mundo é já uma posição ética. Existir é já tomar partido, nem que seja pela recusa em viver. Partindo deste ponto, podemos dizer que a acção será necessariamente ética? Não terá uma componente simbólica? Mas se tiver uma componente simbólica é já ética. Importa portanto definir o que é a ética. Se entendemos por ética intervir no mundo que exterior à nossa consciência, então não se pode ser eticamente imparcial. Mas se considerarmos a ética como uma tomada de posição face aos valores da sociedade em que vivemos e seus acontecimentos quotidianos, pode-se dizer que é possível ser eticamente imparcial. Há que distinguir, a meu ver, o mundo do pensamento, da reflexão, com o mundo evenemencial, estando os dois ligados em termos de análise por canais. Se não estivessem efectivamente ligados, se não fossem um só a que poderemos chamar consciência do mundo, dos outros, estaríamos em condições de dizer que a ética não faria sentido. Faz sentido a ética, porque, para utilizar um chavão do senso-comum, “tudo está ligado”, o que pensamos, conhecemos e o que existe para além da nossa consciência. Ao agirmos e pensarmos estamos a tomar uma posição ética sobre o mundo. É a reflexão e a nossa relação com o outro que modifica e melhora a nossa tomada de posição ética sobre o mundo. A ética deixou de ser exclusiva da religião e talvez tenha sido sobre este enfoque que a tenhamos visto até aqui.

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